segunda-feira, 29 de junho de 2009

A VELHA POLITICAGEM

Há muito tempo venho acompanhando a história política brasileira. A postura dos personagens que vem fazendo parte dessa boca muito pouco mudaram. As cadeiras permanecem nos lugares, seus ocupantes é que vivem fazendo rodízio, alguns até se afastam, sejam por insuficiência de votos em algum pleito, seja para tratar de interesse latifundiário, digo, particulares, ou até mesmo para dar uma oportunidade a seus vices, afinal de contas eles também são filhos da mesma intenção, perdão, digo, filhos de Deus.
Durante minha juventude conheci um cidadão que fugia a essa regra. Era um homem de mais de sessenta anos. Lembro-me dele como se fosse hoje - longas orelhas, de sombrancelhas bem fartas, olhar firme e sempre sério, como sempre foi em suas atitudes. De sua boca quase sempre se ouvia palavras ásperas e de baixo calão(era páreo duro entre ele e o Bocage), dirigida a seus opositores, era esse o seu jeito de ser. Grande defensor dos pobres e dos oprimidos, mas não acredito que ele fosse dar o peixe na mão, mas com certeza ela daria o anzol. Era uma pessoa que viveu numa época em que imperava a lisura, a honra, os preceitos de dignidade. Chegou a ser Governador de Estado e Senador da República. Acredito que se fosse hoje ele não postularia a nenhum cargo eletivo. Lembro-me perfeitamente de uma frase pronunciada por esse cidadão durante um encontro na casa de um "cabo eleitoral" - "Minha amiga, falou a uma cidadã: todo político tem duas caras, uma é usada antes e a outra depois da campanha. E eu não me excluo, pois sou o mais velho".
A história que vou contar não foi por mim presenciada, mas contada por pessoa que trabalhou no Palácio do Governo durante a sua gestão. Foram muitas as histórias que ouvi a respeito desse Senhor. Uma dela foi o caso de uma comissão formada por representantes de padeiros e criadores de gado que pediram uma audiência com o para tratar de um pedido de aumento do pão e do leite, no Estado onde ele governava. Os representantes chegaram ao Palácio e foram recebidos de pronto pelo governador. Então foi perguntado a essa comissão qual era o objetivo da audiência. Quando lhe foi dito qual era a intenção, o governador, levantou-se de sua cadeira, olhou para um dos lados de onde se encontrava e pediu a um de seus ajudantes de ordens que chamasse sua mãe, era a Dona Constância de Góis Monteiro, que morava com ele no Palácio dos Martírios. Quando Dona Constância chegou ele fez o seguinte comunicado a ela: "minha mãe, esses senhores vieram aqui pedir aumento do pão e do leite... me diga uma coisa, eu já dei aumento de salário dos funcionários do Estado? Diante da negativa ele voltou a fazer a seguinte indagação: já que não não houve aumento pra ninguém, o que é que a gente faz com esses homens? A gente manda correr, ou manda dar uma surra. E era assim que ele agia com os olhos grandes da época.
Seu nome? - Silvestre Péricles de Góis Monteiro. Com ele não tinha tapinhas nas costas, nem aperto de mão depois de romper com alguém. Jamais ouvi ele chamar algum opositor de safado, mentiroso ou covarde, pra depois fazer as pazes como se nada já houvesse acontecido. Não. Quando não gostava da coisa ele falava na hora, não tinha meia conversa. Prova disso é que numa discussão ele atirou no seu irmão, o Senhor Ismar de Góis Monteiro, se não me falha a memória era general da reserva. Outra coisa que hoje me chama a atenção é o fato de um político ficar rico na primeira legislatura. Segundo me informaram, o ex-Governador e Senador da República Silvestre Péricles, morreu pobre. Se vivo ele fosse, hoje, por certo, morreria de vergonha por ter sido honesto.
Que saudade daquela época. De poucos partidos políticos, de poucos cargos de ministros, de poucos escândalos políticos-financeiros, época em que não se guardava dinheiro na cueca. Época em que os alunos de escolas públicas eram obrigados a cantar o Hino Nacional Brasileiro, que tinham que decorar os nomes de todos os Ministros de Estado e suas respectivas pastas. Não era difícil decorar, pois eram bem poucos. Não havia necessidade de se criar tantos cargos para se obter maioria na Câmara para a formação da base de sustentação do Governo. Onde existia somente três classes sociais: a rica, a pobre e a miserável. Hoje nós temos várias classes: a rica, formada por empreiteiros, banqueiros, usineiros, grileiros e a política; a média, representada por laranjas, dirigentes sindicais (os pré-políticos) e funcionários do Congresso Nacional; a pobre representada por portadores de contra-cheques recheados de descontos de empréstimos consignados; e a miserável, aquela acolhedora de benécias mensais que lhe são fornecidas para futuras trocas por votos.

E por falar em votos, os faços para que a futura contratação do meu Vasco (Adriano), venha com fome de gol, porque a defesa já está quase afinada.
Por hoje é só, pois já começou a bater soninho. Fui!




VELHA POLITICAGEM

segunda-feira, 15 de junho de 2009

PETRÓLEO X FORÇAS OCULTAS

O tempo passa, a gente vai ficando mais velha. Isto é óbvio. Porém , se faz oportuno lembrar que é com o tempo que aprendemos a entender melhor os acontecimentos passados e, apesar dos neurônios já não serem os mesmos - fortes, em plena atividade -, mas acredito trazerem em seus minúsculos componentes alguma coisa que nos transmitem condições de poder avaliar ou discernir, como queiram, todos esses fatos que nos deixam perplexos.

Quando um cidadão é investido num cargo público, principalmente em se tratando de um parlamentar, de âmbito federal, não se admite posturas desse quilate, que hoje é tudo que se vê em Brasília. Ora, ao se levantar uma suspeita que envolve o dinheiro público, tem que se investigar. Onde está a responsabilidade desses senhores? Onde está a hombridade desses cidadãos? Onde está o cumprimento de seus deveres? Onde está a lealdade com seus eleitores? Onde está o dever cívico-patriótico desses parlamentares?

Muito bem! Na hora de receber seus altíssimos salários todos se fazem presente nas bocas dos caixas, mas na hora de formar quorum para se instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito o que se vê no Plenário são poltronas vazias. Um ou outro voto vencido se faz presente. O chefe do Executivo, esse então deve dar frouxos de risos. Aqueles que preferem ver o demônio do que ouvir falar em CPI, devem ficar eufóricos com a pouca responsabilidade DE TODOS. É a blindagem da vergonha.

Volto a falar da idade e dos neurônios. Muito bem caros leitores, faz-se oportuno lembrar que quando o ex-Presidente Jânio Quadro entregou o bilhetinho de sua renúncia, seus neurônios estavam em plena forma para entender muitíssimo bem que contra a força não existe resistência. Os senhores devem estar lembrados da causa de sua renúncia - As Forças Ocultas - Essas forças que sempre foram faladas, mas nunca reveladas. Também acho que não seria necessário, a toda hora a imprensa nos mostra, trocadas em miúdos. Não obstante o tempo decorrido, são as mesmas forças ocultas que hoje dominam e vão sempre dominar toda e qualquer ação que possa por fim as falcatruas que sempre rodearam nossa política.

Que existe alguma coisa de errada, pelas dificuldades que estão criando para a instalação dessa CPI, não tenham dúvida. Como diria o saudoso Leonel Brizola: FRANCAMENTE, FRANCAMENTE...

Por hoje é só.