O transporte regular de passageiros sempre foi problemático no Rio de Janeiro. Não sei se o leitor se lembra dos ônibus da antiga CTC, aqueles conhecidos como "chifrudos", por serem elétricos e que, por isso necessitavam de uma aste que os ligavam a fios elétricos nas ruas por onde tinham seus itinerários. De vez em quando a aste se soltava do fio e o motorista tinha que descer do veículo para recoloca-la. Pois bem, o passageiros reclamava um bocado devido ao tempo que se perdia durante a viagem. Mas naquela época se tinha algumas vantagens, que hoje já não se tem mais. Na época dos citados veículos os assaltos dentro dos mesmos era muito difícil; as passagens mais baratas em relação aos valores cobrados hoje; os motoristas eram mais educados e havia mais respeito aos usuários. Foi uma época que infelizmente não volta mais.
Os lotações também deixaram saudades. A única restrição que faço é com relação a velocidade. Quando se saía de casa para o trabalho e tinha que pegar um lotação daquele, não podia estar de estômago cheio, porque o balanço e a velocidade que os motoristas imprimiam naqueles coletivos eram de arrepiar. Mas apesar dos pesares o passageiro sabia que chegaria ao seu local de trabalho, sem que tivesse que passar por assalto, tentativa, ou pelo menos um tenso percurso, vendo a qualquer hora ser abordado por um delinquente.Hoje nós temos um transporte IRREGULAR de passageiros, onde não se cumpre horários, não se respeita o idoso e nem o estudante, ambos portadores de passes garantidos por lei. É comum no dia-a-dia assistir alguns motoristas deixarem estudantes e idosos nos pontos de ônibus, justamente esses detentores de passes.
TRANSPORTE ALTERNATIVO
A sorte do carioca é o transporte alternativo. Pois o transporte que deveria ser regular não atende à população. Com a aquiescência das autoridades de transporte, o usuário corre o risco de sofrer algum tipo de acidente, tendo em vista a velocidade exercida por esses veículos, numa concorrência insistente, ruinosa e de alta periculosidade, não somente para quem usa, mas também para os transeuntes que podem ser vítimas de atropelamentos, sem que haja nenhuma providência que possa vir a sanar estas irregularidades.
Existem bairros que o transporte de passageiros é muito deficitário, causando transtornos para aqueles que necessitam do transporte para se locomoverem em direção ao trabalho, ao médico e outras necessidades. Quando o bairro é atendido, é colocado um ou dois horários durante as 24 horas, o que é um absurdo. Quando se tem um movimento regular, são colocados apenas veículos com tarifas especiais, sem que o veículo seja realmente especial. Muitos deles em precárias condições de trafegabilidade, sem ar-condicionado, bancos quebrados e outras irregularidades mais.
A QUEM CABE A CULPA
Será que o órgão concedente não sabe disso, que toda a população está cansada de saber? Sabe sim! Sabe e sabe muitíssimo bem. O problema é que os responsáveis pela concessão e esquema operacional desses veículos estão se lixando para a população. Pois eles não utilizam o transporte de massa, não tem hora para chegar ao trabalho (ENTENDAM EMPREGO), não chegam em casa com a roupa suja de óleo e nem rasgada, decorrentes de parafusos soltos ou outros elementos perfurantes ou cortantes, e muito menos têm medo de serem maltratados por alguns motoristas que já foram reciclados ou participaram de curso promovido pela Fetranspor para o bem e fiel desempenho de suas funções, pelo menos foi isso que deixou claro o seu responsável.
Só nos resta nos educarmos para nas próximas eleições tentarmos colocar em alguns órgãos que regem o nosso transporte, pessoas que possam de fato olhar para aqueles que utilizam o transporte de passageiros no Estado do Rio de Janeiro.
