Este fato que vou descrever aconteceu na Redação de um jornal do Rio de Janeiro. A Redação de um Jornal, não é diferente de outros ambientes de trabalho. Existem aqueles funcionários sérios, caras de durão, e existem outros que pela cara já se vê que são brincalhões. Muito bem! Quando trabalhei em Jornal conheci um rapaz que trabalhava como contínuo da Redação. Sempre descia com matéria para serem composta na redação, e também com fotografia para ser preparada para a edição do dia seguinte. Todas as vezes que ele descia dava uma passadinha pra bater um papinho rápido com a rapaziada. Numa segunda-feira, sentido a falta desse nosso coleguinha, comentei com um companheiro de trabalho: o nosso amiguinho ainda não apareceu por aqui. Foi quando o companheiro me contou o que havia acontecido com ele. O Secretário da Redação desse jornal, na época desse fato, era um senhor chato pra caramba, sisudo, quase não ria. Não sei se era a esposa que dormia sempre de caça comprida, ou se ele estava sempre com a hemorróida inflamada. O Zé detestava ele. E falava sempre que se algum dia acertasse na loteria esportiva subiria em cima da mesa em frente a do chefe e falaria o seguinte: Fulano, você agora pode me mandar embora, que não preciso mais deste emprego, vá pra pqp e outras coisas mais. Ele sempre falava que se desse a sorte de acertar, que iria chingar até a última geração do seu chefe. Os repórteres, sabendo que o Zé detestava o chefe, e que toda semana fazia a sua fezinha na loteria, descobriram que o Zé quando ia pra casa deixava sempre o seu jogo na sua gaveta. Os caras, sabendo que a gaveta dele estava sempre aberta, pegaram a aposta que o Zé fizera e afixaram num quadro de aviso que existia na redação, como sendo os resultados dos jogos da loteria esportiva.
Na segunda-feira quando o Zé chegou para o trabalho, foi conferir os resultados, coisa que ele fazia todo início de semana. Enquanto ele conferia o resultado a galera ficou olhando disfarçadamente, pra ver qual era a reação do rapaz. De repente o Zé solta um grito: pula em cima de uma mesa que ficava em frente a do seu chefe e começou a falar - fulano, com o chefe, filho de uma ..., pode me mandar embora que eu não estou nem aí, seu filho... e repetiu o palavrão. Eu falei que no dia que eu acertasse na loteria eu ia te chamar de tudo que você é. Vai, pode me mandar embora agora. O chefe a essas altura não estava entendendo nada do acontecido. Foi quando, não sei quem falou pra ele que alguém teria copiado o jogo dele e colocado no quadro de aviso, como sendo o resultado dos jogos do final-de-semana da loteria esportiva.
O chefe pediu silêncio, mandou que o rapaz descesse da mesa, chamou ele em particular e mandou que ele fosse pra casa descansar a cabeça. Aí contou pra ele, pro Zé, o que estava acontecendo. Dizem que o Zé, coitadinho, baixou a cabeça pegou seus pertences que estavam na gaveta e foi embora, só voltou ao jornal no dia seguinte para receber o aviso prévio.
Quanto ao repórter que fez essa tremenda brincadeira de mau gosto, não foi descoberto pelo chefe da redação, mas todos ficaram proibidos de colocar resultados de jogos no quadro de aviso, além de uma boa lição de moral.
O dia-a-dia de uma redação é muito engraçado e cheio de fatos curiosos.

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